Compartilhe exemplos de cada um dos elementos (amor, humildade, fé nos
homens, esperança e um pensar crítico). Escreva situações reais ou algo que
tenha chamado atenção sobre os elementos de dialogicidade de Paulo Freire.
Caro tutor Cláudio e colegas,
Bem, o que pude perceber ao
relacionar os elementos da dialogicidade de Paulo Freire: amor, humildade, fé
nos homens, esperança e um pensar crítico, com o papel do tutor é que nós,
tutores, devemos apropriar-nos dos elementos de Paulo Freire é devemos
levar em conta o conhecimento que nossos alunos trazem, como sujeito histórico
de seu próprio processo de aprendizagem, e a construção do saber, estabelecido
por meio da relação e do processo de mediação que acontece na Educação à
Distância (EAD).
A mediação que acontece na EAD é
um processo de comunicação, de conversação, de interação, de cooperação e de
co-construção, cujo objetivo é facilitar o diálogo e desenvolver a negociação
significativa de processos e conteúdos a serem trabalhados, bem como incentivar
a construção de um saber gerado na interação tutor/aluno.
Na EAD, a
distância é sem dúvida uma barreira a ser superada pelo tutor e pelos alunos. Quando
falamos em educação e diálogo, é comum pensar que a distância espacial
interfere significativamente no processo de ensino-aprendizagem. Porém, ao
longo de nossas experiências como tutores percebemos que aproximar o tutor do
aluno e possibilitar um diálogo eficaz entre ambos é um dos principais
objetivos de quem faz parte dessa modalidade de ensino.
A internet nos
oferece meios para superarmos a distância e proporcionar aos nossos alunos a
mesma qualidade do ensino presencial. Podemos citar como exemplos: o email, o
fórum, o chat, o blog etc. Através de tais recursos podemos criar uma relação
empática com nossos alunos e utilizar ativamente os elementos da dialogicidade de
Paulo Freire, que são: amor, humildade, fé nos homens, esperança e pensar
crítico.
Como tutora da
EAD, posso citar algumas situações em que utilizamos tais elementos.
Inicialmente, trataremos
sobre o Amor. Para Freire,
sem amor não há diálogo. Concordo com essa afirmação, pois, só podemos nos
aproximar dos nossos alunos para dialogarmos se estivermos prontos a aceitar
que somos tutores/educadores e que, ao assumirmos esse papel, devemos nos
comprometer e proporcionar uma formação de qualidade aos alunos. Para tanto,
temos que enxergá-los como seres humanos que são, com dificuldades, problemas,
limitações e singularidades. A compreensão nasce do amor, e, por isso, devemos
compreender e aceitar nossos alunos como eles são e tentar tirar deles o melhor
que eles têm a oferecer, buscando torná-los pessoas melhores, mais éticas e
mais preparadas para a vida. Na tutoria, por exemplo, o amor se manifesta
sempre que buscamos ouvir nossos alunos, tentando identificar suas dificuldades
para auxiliá-los durante o processo de aprendizagem.
É impossível
separar o elemento Humildade do amor, pois acredito que a humildade é
consequência do amor. Quando enxergamos nossos alunos como seres humanos em
formação, devemos entender que nós, tutores, também estamos em contínuo
processo de formação, daí a necessidade de ouvir o outro e aceitar que ele tem
muito a nos oferecer. Na EAD, isso ocorre sempre que deixamos nossos alunos se
expressarem, colocarem sugestões, indicar textos e materiais de apoio, auxiliar
os colegas, etc. Por vezes deixamos que nossos alunos assumam também o papel de
educador, pois dentro do processo interativo devemos tornarmos parceiros e
aprendermos juntos.
Se amamos
nossos alunos, passamos a acreditar em seu potencial, quando deixamos que eles
se expressem, quando os motivamos a buscarem conhecimentos e adquirirem
autonomia, fazemos uso do elemento citado por Freire: a Fé nos homens, e
, como educadores, nunca podemos perder a fé no ser
humano.
À partir de então, nós tutores, passamos a ter uma nova visão do
processo de aprendizagem e enxergar nossos alunos como um ser humano em
constante processo de evolução. Passamos também a enxergar que eles são seres
incompletos e que precisam estar em contínuo processo de aprendizagem, daí
nasce a Esperança. Esperança significa o esperar positivo, é a busca
constante por evolução. Quando buscamos aprender, fazemos cursos, leituras,
ouvimos nossos alunos e colegas de trabalho. Somos seres buscando o melhor, e
podemos dar a essa busca constante o nome de Esperança.
A partir daí,
temos um Pensar Crítico, pois vemos a educação como um processo de formação
e de conscientização. Passamos a ensinar e aprender a partir dos nossos
objetivos, fazemos escolhas e damos valor a cada nova descoberta, pois somos
seres conscientes de nossa incompletude e sempre prontos a evoluir.
Nas palavras de Paulo Freire, ao
definir o verdadeiro diálogo, essa noção de mediação se encontra presente e se
fundamenta em um pensar crítico, que deve basear-se na solidariedade entre os
homens e na percepção da realidade como processo, com possibilidades constantes
de ajustes e alterações. E quando o inesperado se manifesta, nós, tutores, devemos
estar preparados para rever nossas ideias, nossas teorias. Tais teorias definem
a aprendizagem como a possibilidade de descobrir novos significados, de atuarmos
em colaboração e criarmos fortes elos com nossos alunos.
Freire salienta que “A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não têm
humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus
companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se tão
homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar
ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes
absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão buscam saber mais”.
Como diz Paulo Freire, “para ser tem que estar sendo”. Tais palavras nos levam a refletir a respeito da
relevância das nossas ações no processo de constituição do próprio sujeito.
Enedina Gertrudes Ramos de Lima