segunda-feira, 26 de novembro de 2012



Compartilhe exemplos de cada um dos elementos (amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico). Escreva situações reais ou algo que tenha chamado atenção sobre os elementos de dialogicidade de Paulo Freire.


Caro tutor Cláudio e colegas,

Bem, o que pude perceber ao relacionar os elementos da dialogicidade de Paulo Freire: amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico, com o papel do tutor é que nós, tutores, devemos apropriar-nos dos elementos de Paulo Freire é devemos levar em conta o conhecimento que nossos alunos trazem, como sujeito histórico de seu próprio processo de aprendizagem, e a construção do saber, estabelecido por meio da relação e do processo de mediação que acontece na Educação à Distância (EAD).
A mediação que acontece na EAD é um processo de comunicação, de conversação, de interação, de cooperação e de co-construção, cujo objetivo é facilitar o diálogo e desenvolver a negociação significativa de processos e conteúdos a serem trabalhados, bem como incentivar a construção de um saber gerado na interação tutor/aluno.
Na EAD, a distância é sem dúvida uma barreira a ser superada pelo tutor e pelos alunos. Quando falamos em educação e diálogo, é comum pensar que a distância espacial interfere significativamente no processo de ensino-aprendizagem. Porém, ao longo de nossas experiências como tutores percebemos que aproximar o tutor do aluno e possibilitar um diálogo eficaz entre ambos é um dos principais objetivos de quem faz parte dessa modalidade de ensino. 
A internet nos oferece meios para superarmos a distância e proporcionar aos nossos alunos a mesma qualidade do ensino presencial. Podemos citar como exemplos: o email, o fórum, o chat, o blog etc. Através de tais recursos podemos criar uma relação empática com nossos alunos e utilizar ativamente os elementos da dialogicidade de Paulo Freire, que são: amor, humildade, fé nos homens, esperança e pensar crítico.
Como tutora da EAD, posso citar algumas situações em que utilizamos tais elementos.
Inicialmente, trataremos sobre o Amor. Para Freire, sem amor não há diálogo. Concordo com essa afirmação, pois, só podemos nos aproximar dos nossos alunos para dialogarmos se estivermos prontos a aceitar que somos tutores/educadores e que, ao assumirmos esse papel, devemos nos comprometer e proporcionar uma formação de qualidade aos alunos. Para tanto, temos que enxergá-los como seres humanos que são, com dificuldades, problemas, limitações e singularidades. A compreensão nasce do amor, e, por isso, devemos compreender e aceitar nossos alunos como eles são e tentar tirar deles o melhor que eles têm a oferecer, buscando torná-los pessoas melhores, mais éticas e mais preparadas para a vida. Na tutoria, por exemplo, o amor se manifesta sempre que buscamos ouvir nossos alunos, tentando identificar suas dificuldades para auxiliá-los durante o processo de aprendizagem.
É impossível separar o elemento Humildade do amor, pois acredito que a humildade é consequência do amor. Quando enxergamos nossos alunos como seres humanos em formação, devemos entender que nós, tutores, também estamos em contínuo processo de formação, daí a necessidade de ouvir o outro e aceitar que ele tem muito a nos oferecer. Na EAD, isso ocorre sempre que deixamos nossos alunos se expressarem, colocarem sugestões, indicar textos e materiais de apoio, auxiliar os colegas, etc. Por vezes deixamos que nossos alunos assumam também o papel de educador, pois dentro do processo interativo devemos tornarmos parceiros e aprendermos juntos.
Se amamos nossos alunos, passamos a acreditar em seu potencial, quando deixamos que eles se expressem, quando os motivamos a buscarem conhecimentos e adquirirem autonomia, fazemos uso do elemento citado por Freire: a Fé nos homens, e , como educadores, nunca podemos perder a fé no ser humano.
À partir de então, nós tutores, passamos a ter uma nova visão do processo de aprendizagem e enxergar nossos alunos como um ser humano em constante processo de evolução. Passamos também a enxergar que eles são seres incompletos e que precisam estar em contínuo processo de aprendizagem, daí nasce a Esperança. Esperança significa o esperar positivo, é a busca constante por evolução. Quando buscamos aprender, fazemos cursos, leituras, ouvimos nossos alunos e colegas de trabalho. Somos seres buscando o melhor, e podemos dar a essa busca constante o nome de Esperança.
A partir daí, temos um Pensar Crítico, pois vemos a educação como um processo de formação e de conscientização. Passamos a ensinar e aprender a partir dos nossos objetivos, fazemos escolhas e damos valor a cada nova descoberta, pois somos seres conscientes de nossa incompletude e sempre prontos a evoluir.
Nas palavras de Paulo Freire, ao definir o verdadeiro diálogo, essa noção de mediação se encontra presente e se fundamenta em um pensar crítico, que deve basear-se na solidariedade entre os homens e na percepção da realidade como processo, com possibilidades constantes de ajustes e alterações. E quando o inesperado se manifes­ta, nós, tutores, devemos estar preparados para rever nossas ideias, nossas teorias. Tais teorias definem a aprendizagem como a possibilidade de descobrir novos significados, de atuarmos em colaboração e criarmos fortes elos com nossos alunos.
Freire salienta que “A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não têm humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão buscam saber mais”.
Como diz Paulo Freire, “para ser tem que estar sendo”. Tais palavras nos levam a refletir a respeito da relevância das nossas ações no processo de constituição do próprio sujeito.

Enedina Gertrudes Ramos de Lima

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